sábado, 16 de agosto de 2008

Quanto do teu sal...

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.*

* “Mensagem” de Fernando Pessoa






Fernando Pessoa, foto de Vitorino Braga



Matosinhos, 16 de Agosto de 2008



2 comentários:

raquel disse...

Hoje não me apetece nada, engano, apete o não apetecer. O inverno está novamente a saudar-nos do fundo da janela, enquanto buscamos razões para o que existe. Gastam-nos as actividades para sobreviver e nos integrarmos como autómatos numa sociedade que odiamos.Apetece rasgar o cortinado, a esperança das certezas quotidianas; não apetece desleixar o penteado e a imagem na vidraça. Aprisiona-nos o espaço, a casa, o jardim, a feguesia, os conceitos que delimitam e nos confinam. Sabedoria é a gramática ancestral que nos impingem, sodados de barro, mesmo no limiar do precipício. Encarrego-me de enxergar o infinito, embora só surjam paúis definhados na austeridade. E o hilariante não diminui nem de intensidade, nem de dimensão nas pupilas do outrém. Apetece-me e não me apetece...rugas surgem como sulcos de tensão...na deformação constante do meu limbo.

Amita disse...

Mesmo na ausência, há sensibilidades que não se esquecem, que nos ficam para sempre gravadas na memória; assim o que transmites através das belas fotos. Obrigado por teres permitido levar algumas para o meu blogue.
Com carinho te envio um grande abraço com os votos de um Bom ano de 2009