Ó mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.*
* “Mensagem” de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, foto de Vitorino Braga
Matosinhos, 16 de Agosto de 2008
2 comentários:
Hoje não me apetece nada, engano, apete o não apetecer. O inverno está novamente a saudar-nos do fundo da janela, enquanto buscamos razões para o que existe. Gastam-nos as actividades para sobreviver e nos integrarmos como autómatos numa sociedade que odiamos.Apetece rasgar o cortinado, a esperança das certezas quotidianas; não apetece desleixar o penteado e a imagem na vidraça. Aprisiona-nos o espaço, a casa, o jardim, a feguesia, os conceitos que delimitam e nos confinam. Sabedoria é a gramática ancestral que nos impingem, sodados de barro, mesmo no limiar do precipício. Encarrego-me de enxergar o infinito, embora só surjam paúis definhados na austeridade. E o hilariante não diminui nem de intensidade, nem de dimensão nas pupilas do outrém. Apetece-me e não me apetece...rugas surgem como sulcos de tensão...na deformação constante do meu limbo.
Mesmo na ausência, há sensibilidades que não se esquecem, que nos ficam para sempre gravadas na memória; assim o que transmites através das belas fotos. Obrigado por teres permitido levar algumas para o meu blogue.
Com carinho te envio um grande abraço com os votos de um Bom ano de 2009
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